Café Girondino: Trajetória e Notoriedade
10 de junho de 2020
"Ficou aquela escolha: ou a gente muda ou a gente fecha"
Inaugurado por franceses em 1875, o Café Girondino, inicialmente localizado na Rua 15 de Novembro com a Sé, é o café mais antigo de São Paulo ainda em funcionamento. Teve seu início como um ambiente de luxo destacando-se entre os bares boêmios da região. Os clientes mais assíduos à época eram barões de café, que desfrutavam do ambiente privativo e seguro para negociar os preços de sacas, além de redatores de jornais, que usavam o lugar para se encontrar e escrever. Era, e ainda hoje é, um ambiente acolhedor e com uma estética esplêndida. Aos transeuntes da região central, é uma boa sugestão para uma pausa na correria dos dias.
Quem concede a entrevista é Felippe Nunes, sócio minoritário e gerente comercial do café. Nascido em São Paulo, começou a trabalhar para o estabelecimento com 15 anos, em 2001, ocupando-se do cargo de office boy. Em 2012, foi promovido para o setor financeiro, então foi sendo promovido até chegar ao atual patamar. Devido ao seu contato com a gestão do restaurante, cursou Administração na PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
O atual endereço, Rua Boa Vista, 365, foi inaugurado em 1998, localizado no triângulo histórico (espaço entre as 3 principais ruas: São Bento, XV de Novembro, Direita). Sendo assim, o local é considerado histórico, o que agrega valor. O Café Girondino é um local com uma proposta de entrega cultural, histórica e gastronômica.
Na época da inauguração do endereço atual, o público-alvo era a classe média e alta: bancários, juízes, figuras do mercado financeiro e políticos. Essa audiência buscava por um local tranquilo e seguro para descansar, ter reuniões ou até mesmo trabalhar em um ambiente distinto. Além disso, era um “café filosófico”, no qual os intelectuais se reuniam para debater e desenvolver suas obras. Durante as noites o local tornava-se mais badalado, uma vez que os trabalhadores da noite desfrutavam o espaço para comemorar os lucros, com cenas semelhantes ao filme “O Lobo de Wall Street”.
O sucesso do café foi ameaçado com a pandemia causada pelo Covid-19, quando os estabelecimentos foram obrigados a fechar devido à situação de calamidade. Pela falta de clientela, o local passou por dificuldades financeiras, tendo que se reinventar. Em 2021, Café Girondino recebeu 5% do público que costumava ter. Hoje em dia está em cerca de 60%.
Apesar das dificuldades, o Café Girondino tem uma preocupação em mente agora: revitalizar o centro. Já é de conhecimento dos paulistanos a situação de abandono que as ruas da Sé vivem, além do imenso número de pessoas em situação de rua pela área. Devido a esses desafios, o estabelecimento trabalha em prol da comunidade e até mesmo com outros estabelecimentos, que, como dito por Felippe Nunes, não são vistos com maus olhos, pelo contrário: entende-se que através de outras localidades comerciais e da atuação delas, se torna possível uma transformação do centro histórico."SP é o coração pulsante da América Latina, por isso precisa se manter vivo.", é o que diz nosso entrevistado.
