Mercearia Godinho é referência alimentícia no Centro Histórico de São Paulo
02 de maio de 2023
Miguel Romano, atual proprietário, faz viagem no tempo em entrevista: relembra a trajetória do local e destaca suas tradições europeias.
Com 135 anos de história, a Casa Godinho, em 2013, foi o primeiro estabelecimento a receber o título de Patrimônio Cultural Imaterial pela Conpresp(Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo). No local, é possível observar a forte influência da Europa, como os vinhos refinados, as comidas tradicionais e o famoso bacalhau da Noruega.
Em 1995, Miguel Romano, de 64 anos, entrou para a sociedade e tornou-se o único proprietário em 2001. Apesar de não ter relações familiares com os primeiros donos, ele tem proximidade com os netos e bisnetos do fundador José Maria Godinho, compartilhando entre eles, portanto, lembranças da época da criação da Casa.
Agora, ao ser questionado sobre o prestígio do ambiente e a fidelidade dos clientes, Romano pontuou as motivações do sucesso duradouro: “Há várias coisas que os atraem. Primeiro, os produtos que nós vendemos, são reconhecidos como de excelente qualidade [...] E fora isso, a parte histórica, a parte sentimental. Têm pessoas que vem aqui apenas para fazer uma viagem ao tempo, lembrar de quando vinham com os pais, com os avós, para matar a saudade [...]”.
“[...] a ideia de trazer os produtos da Europa para a imigração que estava tendo fortemente aqui no Brasil. Então, muitos vinham aqui em busca de produtos da terra natal, vinhos, embutidos, queijos, coisas que não encontravam aqui [..] por isso ele teve o sucesso com esse pessoal que vinha tentar a vida, fugido da guerra”. Relembrança que remete aopropósito principal para abrir a Mercearia. Já, em 2001, uma pequena padaria foi incluída nas variadas mercadorias, a qual rende mais lucro até hoje.
No final da entrevista, o atual dono foi indagado sobre futuras mudanças. Dessa forma, ele afirmou que pretende implementar mais o local, mas que, no momento, há um cenário pós-pandêmico, que acabou afetando os recursos econômicos do estabelecimento.
“Uma das ideias que tínhamos antes da pandemia era montar, no fundo da loja, uma tasca portuguesa, como se fosse um bar, para as pessoas degustarem os produtos que vendemos na loja [...] infelizmente tivemos que adiar”.
Vale ressaltar que, ainda, a Casa Godinho, no contexto histórico, possui objetos antigos da época de seu nascimento, como, por exemplo, a calculadora alemã, a balança romana, suas prateleiras do século XIX e seus antigos ladrilhos.
Assim, a propriedade funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 18h30. Além disso, fazematendimentos online.
